Estruturas Internacionais

Dezesseis fundações, cinco gerações, e a espinha dorsal da indústria sueca

Investor AB, holding da família Wallenberg que controla parte da indústria sueca

Há cinco gerações, desde 1856, a família Wallenberg sustenta o controle de boa parte da espinha dorsal industrial da Suécia. Ericsson, Saab, Electrolux, AstraZeneca, ABB e Atlas Copco passam, em algum grau, pela mesma arquitetura de controle: fundações no topo, uma holding operacional embaixo, e ações de voto duplo amarrando as duas.

Como a engenharia se monta

Dezesseis fundações, somando algo perto de US$ 27 bilhões em ativos, ficam no topo da estrutura. Elas controlam a Investor AB, a holding que por sua vez detém participação nas empresas operacionais. As três maiores fundações da família somam cerca de 23% do capital, mas cerca de 50% dos votos, graças a uma estrutura de ações de classe dupla, A e B, em que a classe A vale mais voto por ação.

Motto da família: "Esse non videri". Ser, sem parecer. É a filosofia que resume uma estrutura pensada para durar séculos, não trimestres.

O que o modelo entrega

Esse desenho permite algo raro: controle concentrado e estável ao longo de gerações, sem que a família precise deter a maioria do capital. A economia (o dividendo, o valor de mercado) se distribui de forma mais ampla, enquanto o comando permanece na estrutura fundacional. É um modelo de controle de longuíssimo prazo, construído para atravessar décadas sem depender da unanimidade entre herdeiros.

A linha inegociável para o brasileiro

É preciso ser direto aqui, porque esse é o ponto onde mais se vende ilusão. Para o residente fiscal brasileiro, montar uma estrutura no exterior não isenta imposto por si só. A Lei 14.754/2023 tributa anualmente o lucro de controladas no exterior, e o ITCMD sobre bens localizados fora do país tem base na LC 227/2026. A isenção plena depende de uma saída fiscal formal, uma mudança de residência de verdade, não de uma fundação no papel.

O que o modelo Wallenberg oferece, para quem tem patrimônio e sucessão internacionais reais, é controle, proteção e continuidade, não redução de imposto. O Brasil não tem o veículo de fundação de interesse privado nos mesmos termos, o que torna esse tipo de arquitetura um projeto sob medida, sempre dentro da lei, nunca uma fórmula de prateleira para driblar a Receita.

Pedro Henrique Bastos Marquez
Pedro Henrique Bastos Marquez
Advogado Fundador · OAB/GO 27.717
Advogado com mais de 15 anos de atuação em planejamento patrimonial e tributário internacional. Estrutura holdings, trusts e veículos societários no Brasil e no exterior, com foco em governança familiar e sucessão.
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